Janeiro de 2026 mal começou e já deixou claro que o verão fluminense não dá trégua. O regime pluviométrico deste mês apresentou uma complexidade multifatorial, marcada pela convergência de sistemas como a Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS) e frentes frias, que resultaram em acumulados significativamente superiores às médias climatológicas.
O Panorama das Últimas Semanas
O cenário no estado é desafiador. Até meados de janeiro, cerca de 12.000 pessoas foram registradas como desalojadas, afetando municípios como Rio de Janeiro, Belford Roxo, Nova Iguaçu e São João do Meriti.
Na Região de Costa Verde, logo no início do mês, Angra dos Reis enfrentou um cenário severo, contabilizando 331 pessoas desalojadas entre os dias 4 e 6 de janeiro.
Já na Capital, no dia 25 de janeiro, a cidade entrou no Estágio 2 de alerta após registrar taxas de precipitação superiores a 25 mm em apenas 15 minutos em bairros como Méier e Sepetiba. O temporal causou bolsões d'água e deslizamentos na Pavuna.
No Sul Fluminense, Barra Mansa viveu uma de suas piores crises, acumulando 112,6 mm de chuva em 48 horas. O transbordamento dos rios Barra Mansa e Bananal atingiu níveis bem acima das cotas de transbordo, causando transtornos, além do registro de 14 deslizamentos de terra na cidade.
Por que a chuva não para?
A persistência da ZCAS — uma banda de nebulosidade que traz umidade da Amazônia — foi o principal indutor das chuvas moderadas a fortes que saturaram o solo fluminense. Somado a isso, o calor intenso com temperaturas máximas favoreceu núcleos de tempestades rápidas e severas. Com o solo já saturado, o CEMADEN-RJ alerta que chuvas de apenas 10 mm a 20 mm agora podem ser gatilhos suficientes para novos deslizamentos.
O Papel da Prevenção: O Rio que se Protege
A prevenção tem se mostrado eficaz para salvar vidas. Em Barra Mansa, o desassoreamento preventivo do Rio Bananal permitiu que a lâmina d'água fosse reduzida em vias residenciais, o que contribuiu para a diminuição de prejuízos. Além disso, exercícios simulados de emergência, como o realizado em Tinguá (Nova Iguaçu), preparam a população para a utilização de rotas de fuga seguras.
Guia de Sobrevivência: Ações Imediatas
O prognóstico para o encerramento do mês indica um cenário de alta vulnerabilidade, com acumulados que podem superar 120 mm entre 30 e 31 de janeiro. Portanto, siga sempre as orientações dos órgãos especializados sobre como agir em desastres, como na página da Defesa Civil Estadual.
Sinais de deslizamento: Observe inclinações em postes ou árvores e rachaduras novas em muros. Se ouvir estalos no solo, saia imediatamente e ligue para a Defesa Civil (199) ou Bombeiros (193).
Inundação em Casa: Se a inundação for inevitável, desligue o quadro geral de energia e o registro de gás.
Na Rua: Nunca tente atravessar ruas alagadas a pé ou em veículos; a correnteza pode esconder bueiros abertos ou arrastar até veículos pesados.
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