O negócio social JCRÉ Facilitador, também chamado de Jacaré, está há mais de 20 anos mudando a vida de jovens da periferia carioca. A iniciativa defende a moda enquanto ferramenta de transformação por meio da capacitação de modelos para o mercado e realização de cursos na área da beleza. Para que o projeto passasse a levar as belezas da periferia para o mundo, porém, uma inquietação precisou surgir.
Júlio César da Silva Lima, diretor e criador da JCRÉ, era porteiro em um prédio de Copacabana e pegava revistas de moda dos lixos da Zona Sul. Um incômodo foi sendo fomentado nessas suas leituras das publicações: a ausência de meninas negras como as da sua periferia, Jacarezinho. Júlio assumiu, então, a missão de fazer algo para que essas meninas alcançassem o mercado da moda.
Em 2022, o projeto foi um dos beneficiados pela linha de fomento do programa Cria RJ, iniciativa realizada com patrocínio da Light, distribuidora de energia em 31 municípios no estado do Rio. O programa é uma plataforma de formação de empreendedores, aceleração de negócios criativos e fruição artística. Em sua primeira edição, o foco foi em agentes culturais do complexo do Jacarezinho, Muzema e Cantagalo, três territórios da cidade do Rio de Janeiro.
“Eu era uma instituição cheia de coisas a fazer: escola de beleza, transformação social, entregas de cestas e agenciamento de modelos, que é como a Jacaré começou. Com o Cria RJ, eu tive professores que me deram um tapa, me disseram ‘você precisa entender quem você é e o que você precisa parar de fazer para ser o que quer’ e isso não foi fácil”, relembra Julio sobre a experiência formativa.
“A gente, que é morador periférico, quando mexe com a questão de transformação social em longa escala, fazendo tudo por isso, a gente acha que deveria estar fazendo tudo. E hoje eu sou um negócio social que só enxerga o viés de beleza e moda como transformação social. Hoje eu entendo que quando eu descubro uma menina e ela vai parar na capa da Vogue, ela transforma e impacta a favela sem que eu precise fazer outras milhões de coisas”, elabora o carioca.
O negócio de Julio é o foco do documentário audiovisual “Favela É Moda”, lançado no ano de 2020. A obra revela a força estética e política de jovens negros das periferias do Rio de Janeiro em busca de realização pessoal no mundo da moda, abordando os dilemas, sonhos e desafios que eles enfrentam em busca de visibilidade, distinção e ascensão social.
O empreendedor também afirma que nunca havia participado de algo como o Cria RJ, relatando que, antes do programa, nunca soube o valor do seu produto, não conseguindo precificar o quanto realmente valia cada modelo, desde o momento em que o descobria, preparava e fotografava. “O Cria me ensinou a calcular e precificar não beleza, mas a potência periférica, que é o que a gente já fazia e não olhava”, sustenta.
“Não é só participar do Cria, não é só passar no edital, não é só receber o prêmio, mas é quem eles contrataram, quem eles colocaram como time para nos entender como potência e nos colocar no caminho que um negócio social precisa estar para dizer que é um negócio de ponta”, acrescenta Julio.
Após a participação no Cria RJ, ele se sente ainda mais energizado para ser uma JCRÉ menor, que trabalhe menos e ganhe mais, impacte mais e transforme mais. “O valor que nós ganhamos com o prêmio nós pagamos as contas, ajeitamos a vida. Hoje a gente está bem, não temos mais dívidas, agora a gente precisa caminhar e seguir”, projeta.
No mês de julho, JCRÉ está com inscrições abertas para modelos da periferia carioca com idade entre 16 e 24 anos e de qualquer gênero.
O programa CRIA RJ tem patrocínio da Light e da Secretaria de Estado de Cultura e Economia Criativa (Secec) do Rio de Janeiro, por meio da Lei Estadual de Incentivo à Cultura. A iniciativa é uma realização da Marco Zero e do Instituto Ibero Culturas com produção da WM Cultural.
A 2ª edição do Cria está chegando
A segunda edição do Cria RJ chega nos próximos meses, com expectativa de promover mais de 200 ações formativas e artísticas, as quais devem impactar diretamente a vida de aproximadamente 15 mil pessoas. O objetivo do projeto é descentralizar o investimento em arte e cultura, fortalecendo iniciativas culturais que já existem e resistem nos territórios.
SERVIÇO
Inscrições pelo WhatsApp: (21) 982923020
Instagram: @jcrefacilitador
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