A região da Pequena África é um local de referência para a história da população negra na cidade do Rio, com marcos fundamentais que atraem a atenção de todo o mundo. É, também, território que abriga uma série de grupos que, ao longo do ano, celebram a força da cultura e da identidade afro-brasileira. No carnaval, não é diferente. Durante o período de festa, diversos blocos animam as ruas da região, em cortejos que combinam a alegria e a resistência.
Um dos mais conhecidos, o Cordão da Prata Preta, faz uma homenagem ao capoeirista Horácio José da Silva, conhecido pelo apelido “Prata Preta”. Ele foi um dos líderes da Revolta da Vacina, no início do século passado. O bloco foi fundado em 2004 e também é chamado de Zumbi da Saúde. O desfile acontece no sábado de carnaval, dia 1º de Março, pelas ladeiras da região, com concentração na Praça da Harmonia.
Outra importante personagem é reverenciada no “Batuke da Tia Ciata”, que, como o nome sugere, faz referência à grande matriarca do samba e ialorixá Hilária Batista de Almeida. Criado pela Organização Cultural Remanescente de Tia Ciata, o bloco desfila no sábado antes do carnaval, a partir das 15h, na Saúde.
No dia seguinte, o “Fiquei firme” resgata a história de uma escola de samba da região, fundada em 1933 e que desfilou até 1940 entre as grandes agremiações do carnaval carioca. Inspirado por Dodô da Portela, porta-bandeira histórica do carnaval carioca, moradora do Morro da Providência, o bloco surge em 2010 para honrar esse legado e exaltar a força da cultura negra.
Estreante no carnaval de 2024, o bloco Tecnomacumba, comandado pela cantora Rita Beneditto, retorna às ruas neste carnaval, com repertório formado por sambas de terreiro e afoxés, entre outros ritmos brasileiros. Quem também mergulha na religiosidade afro-brasileira é o Foliões da Prainha, que desfila este ano com o enredo “Ogum, guerreiro vencedor de demandas”. O bloco nasceu com comerciantes da região, que levantavam a bandeira da luta por direitos e reconhecimento do movimento negro.
As ruas da Pequena África também serão palco de grandes encontros, como no dia 22 de fevereiro, em que os blocos Òrúnmilá e Filhos de Gandhi participam do Carnaval Cultural do Muhcab, o Museu da História e Cultura Afro-Brasileira, na Gamboa. Fechando as festividades, um desfile da Liga de Blocos e Bandas da Zona Portuária reúne várias agremiações da região, no domingo, dia 9 de março, também na Gamboa, em cortejo que percorre ruas históricas da região.
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