Além de ator, o atual Presidente do SATED/RJ, é um gestor implacável.
Hugo Gross, nos revelou que sempre teve desafios desde pequeno. Tem origem de família simples e foi diretor do SATEDRJ por aproximadamente 17 anos; como o presidente anterior, precisou se afastar, ele assumiu a presidência. E foi mais um grande desafio, porque assumiu em meio a pandemia, onde só haviam dúvidas e incertezas.
“Eu entendo que quando você assume alguma coisa, você quer fazer mudanças. E a vida é feita de desafios”, diz Hugo Gross
Começamos arrumando a casa, eu e minha equipe de 24 diretores. Tivemos algumas reações adversas, porque mudanças sempre provocam esse tipo de comportamento nas pessoas, empresas, enfim, no coletivo em geral. Foi preciso rever o quadro de funcionários, pois alguns ganhavam muito acima da realidade e, em plena pandemia, era necessário a sobrevivência. As coisas iam aparecendo e nós íamos tentando resolver da melhor maneira possível. Não pelo individual, mas sim pensando na categoria, no bem-estar do artista, do técnico, do ator, da atriz, do associado em geral.
Segundo a Lei 6533/78, pode-se contratar um profissional, desde que tenha uma autorização especial. Detectei que tinha uma demanda muito grande de pessoas sendo contratadas, principalmente pela TV Globo, sem registro profissional. Logo pensei, isso não é normal, o estatuto não permite isso. E é isso que estamos debatendo e fiscalizando, a respeitabilidade do artista. Aproveitei isso, que não é justo, e tentei mostrar que não podiam fazer dessa maneira. Porém, tinha uma pessoa dentro da emissora, que só prejudicava e achava que podia fazer o que queria e o que não queria, sem respeitar a lei. E não é assim, a gente tem que conversar, a gente tem que se entender para as coisas poderem fluir, para as coisas poderem andar.
A instituição só quer que tudo esteja correto, não estamos aqui proibindo A, B, ninguém de trabalhar. Nós só estamos monitorando, defendendo os direitos da categoria. Se pedirem uma autorização, nós daremos uma autorização específica, especial. Como foi o caso da Jade Picon, ela não é atriz, ela não tem registro de atriz e trabalhou na novela, com uma autorização especial.
A MAAT Produtora acabou de trazer essa demanda pra você, quer iniciar a gravação de um filme e precisa de uma autorização especial, e a sua fala foi: vamos sentar, conversar e vamos ver como fazer isso, de forma legal!
Pois é, nós não estamos aqui pra prejudicar ninguém, a gente tá aqui pra deixar o empresário contratar quem ele quer, o empresário só tem que entender que ele tem que respeitar o artista, e que a célula mais importante do produto é o ator, é a atriz, quer seja de uma emissora de televisão ou de uma produtora. Eles é que dão os lucros, mas os empresários não pensam muito assim não, tá? Os empresários infelizmente, querem massificar, eles querem sugar.
Agora está muito em moda, a ilusão de que seguidores vão trazer um feedback muito grande. Não vão!
Eles contratam uma pessoa que não tem estudo nenhum, que não sabe qual é a tônica de um texto, qual é a diferença de teatro pra televisão e bota diante das câmeras, literalmente joga aos leões, pagam uns 50 mil, só porque ela tem milhões de seguidores, um absurdo! É a mesma coisa que pegar um advogado, que não tem OAB, pra defender uma causa no tribunal. É o que algumas emissoras estão fazendo.
Teve uma pessoa que sentou aqui comigo e era figurante, me disse: - Ah, eu nem quero fazer novela, mas eles querem que eu faça, então aceitei! Eu achei um absurdo, e é só porque tem muitos seguidores.
Porque não pegam um(a) ator(riz) que já é talentoso(a), que investiu em conhecimento justamente para atuar? E quando contratam profissionais capacitados, querem pagar pouquíssimo. O SATEDRJ está aqui pra proteger o trabalhador da arte, estamos aqui pra proteger o ator, o artista e todos os nossos associados.
Gerir uma instituição como essa, não é fácil! Recebemos várias demandas, vários abacaxis, e minha equipe, me ajuda a solucionar cada um deles. Nós trocamos ideias tempo todo, porque o importante pra nós são as pessoas. Toda ideia é válida, escutamos, degustamos e tentamos resolver. Porque de onde menos se espera, sai coisas interessantes. Esse é o trabalho.
O SATEDRJ faz um trabalho de equipe. Tem o Cisneros, que é um mediador, um senhor sério, diretor, tem o Diego Ladeira, o Paulo Martinelli, o Mário, o Ivan, entre outros.
Essa galera já trabalha junta há um bom tempo… Lutando, conectados pelos mesmos ideais.
O que um sindicato faz? Ele se preocupa com os seus associados, que no nosso caso é a categoria artística e infelizmente é mal remunerada no país. Através de parcerias, como a LBV-Legião da Boa Vontade, na pessoa do Pedro Paulo, que todo ano me dá cestas básicas, conseguimos ajudar a galera que precisa, porque tem muitos atores desempregados. Nos preocupamos com isso também e buscamos manter viva a cultura de nosso país.” Finalizou Hugo Gross
Comentários: