O coreógrafo, professor e bailarino Airton Tenório faleceu neste domingo (26), aos 76 anos. A notícia foi confirmada por artistas, ex-alunos e profissionais da dança por meio das redes sociais, gerando homenagens e manifestações de pesar de diferentes gerações que conviveram com o artista.
Natural de Recife (PE), Airton Tenório foi um dos grandes nomes da dança contemporânea brasileira e teve papel decisivo no desenvolvimento da linguagem artística em Pernambuco. Em 1988, fundou a Companhia dos Homens, grupo que se consolidou como uma das principais referências da produção contemporânea no Estado, contribuindo para a formação de inúmeros bailarinos, coreógrafos e professores.
Sua trajetória na dança começou em 1975, quando iniciou os estudos de jazz com Toni Vieira, em Recife. No ano seguinte, passou a integrar o Balé Armorial do Nordeste, sob direção de Flávia Barros, experiência que marcou o início de uma carreira de projeção nacional e internacional.
Ao longo de sua formação, estudou com importantes mestres da dança, entre eles Tatiana Leskova, Johny Franklin, Adolfo Lotufo, Marli Tavares, Lennie Dale e Jerry Maretsky. Também aperfeiçoou sua técnica nos Estados Unidos e na Europa, onde desenvolveu uma intensa atuação como bailarino, professor e coreógrafo.
Como intérprete, participou de produções da TV Globo, integrou companhias internacionais e esteve em espetáculos apresentados na Alemanha, Bélgica, Itália, Portugal e Espanha. Um dos destaques de sua carreira foi a participação no musical Abadaba-doo, da Hanna-Barbera Company, com temporadas realizadas no Brasil, América Latina, Filipinas e Japão.
Na área da educação, Airton Tenório também deixou uma contribuição expressiva. Ministrou aulas em escolas e companhias de dança em diversos países europeus e, a partir de 1997, passou a integrar a Companhia Débora Colker, no Rio de Janeiro, onde atuou como professor e colaborador artístico, participando ainda das atividades do Centro de Movimento da companhia.
Sua produção coreográfica atravessou décadas e resultou em obras marcantes, como Entre Homens e Lobos, Na Cor Lilás, Narciso, Outono, Glória, Maria Del Mar, Fragmentos de um Arco-Íris em Branco e Preto, Andarilhas, Fruto Proibido, Americanos e Um Cheiro Forte de Pipoca, entre outras criações que ajudaram a consolidar sua importância na história da dança brasileira.
Reconhecido pela dedicação à pesquisa, à criação artística e à formação de novos talentos, Airton Tenório deixa um legado que ultrapassa os palcos. Sua influência permanece viva na trajetória de centenas de profissionais da dança e na memória da cultura brasileira, que perde um de seus mais importantes mestres da dança contemporânea.
Comentários: